O agora ex-coordenador do Serviço Móvel de Urgência (Samu) em Rondonópolis, Heusnan Lima Freitas, está sendo acusado de ter cometido assédio sexual contra funcionárias do próprio Samu.
As acusações partem de pelo menos quatro mulheres e já estão sendo investigadas pelo Ministério Público Estadual.
Coordenador do Samu desde fevereiro de 2017, o médico Heusnan Lima Freitas é acusado de assédio sexual e, de acordo com uma das suas possíveis vítimas, que chegou a registrar um Boletim de Ocorrência (BO) contra as supostas investidas do coordenador, ele teria cometido o assédio ainda no mês de setembro de 2018, mas o BO foi registrado somente em novembro de 2021.
De acordo com o narrado pela vítima no BO, o coordenador do Samu teria encontrado ela e uma amiga, que também trabalhava no Samu, num bar numa noite de sábado e sentado na mesa onde ambas estavam sem ser convidado, para em seguida propor que fizessem um programa a três, o que foi prontamente recusado pelas mulheres, mas ele insistiu e teria usado da sua condição de chefe das mulheres para forçar a situação. “Mas eu sou o chefe de vocês”, teria dito, diante da recusa das mulheres.
As duas então se retiraram do local e em seguida foram para uma boate. Não contente, o coordenador também foi para a boate e lá abordou novamente as mulheres, pegando a vítima pelo braço e dizendo: “Vamos embora” para ela, que se afastou dele – conforme consta no BO.
Depois disso, ele ainda teria chamado a vítima em sua sala por diversas vezes e dito para ela “pensar bem no que estava fazendo” e afirmando que era seu chefe e poderia mandá-la embora a qualquer momento e, como a mulher não teria cedido ao assédio do chefe, cerca de 15 dias após o ocorrido, acabou sendo demitida, mesmo não havendo nenhuma reclamação quanto aos seus serviços.
Em um outro caso já tornado público, o coordenador é acusado por outra mulher de insistir que ela fizesse o “teste do sofá” com ele. A denúncia aponta que depois ela foi demitida pelo próprio, por conta, segundo a vítima, de ter iniciado um relacionamento amoroso com outra pessoa.
Como teria recorrido ao prefeito, ela conseguiu ser readmitida no cargo, mas ouvia constantes insinuações de que estaria “em dívida” com o coordenador do Samu e que teria que passar pelo citado “teste”.
Esses casos foram comunicados ao ex-secretário municipal de Saúde, Vinícius Amoroso, que por sua vez enviou ofício para a Secretaria de Gestão de Pessoas, então sob o comando de Carla Carvalho, no dia 3 de novembro de 2021.
A secretária então enviou ofício para a Procuradoria Geral do Município (PGM) para se orientar sobre a legalidade da abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta do coordenador, mas não se sabe ainda se o tal PAD chegou a ser instaurado.
A Prefeitura foi questionada sobre a situação e sobre quais atitudes teria tomado para apurar a conduta do coordenador, mas até o fechamento dessa edição não tinha se manifestado.
OUTRAS ACUSAÇÕES
Segundo notícia veiculado pela imprensa cuiabana, Heusnan Lima Freitas também é investigado pelo MP pela possível responsabilidade na morte de uma criança, que teria se engasgado com um chiclete e morrido em decorrência de um equívoco dele como médico.
Ele também seria investigado por negar atendimento a pessoas que procuraram pelo Samu, mesmo tendo viaturas e equipe médica à disposição, quando teria ordenado que a médica que estava atendendo a ocorrência negasse o atendimento.
Ele ainda está sendo investigado por atuar como médico socorrista do Samu sem ter o Registro de Qualificação de Especialista (RQE), que é exigido dos médicos para esse tipo de trabalho.
Diante da enorme repercussão negativa dos fatos, a Prefeitura decidiu afastar o médico de suas funções na última terça-feira (26).