Cidinha teve pagamento registrado em um sábado para visitar gabinetes de parlamentares federais; ela esteve envolvida na polêmica do auxílio-alimentação de R$ 1 mil.
A vereadora Maria Aparecida Antunes de Souza, conhecida como Cidinha da Altelândia (PSDB), da Câmara Municipal de Jauru (425 km de Cuiabá), recebeu R$ 2.520 em diárias para uma viagem a Brasília, com saída prevista para sábado, 8 de agosto, e retorno na quarta-feira (12). O pagamento, também registrado no sábado, tinha como justificativa visitas e reuniões nos gabinetes de três parlamentares federais. Apesar da previsão de compromissos oficiais, os documentos obtidos pela reportagem não apresentam registros que comprovem a realização dos encontros.
Conforme o Portal da Transparência da Câmara Municipal, o empenho nº 257 foi emitido em 3 de agosto de 2026, com previsão de quatro diárias para a parlamentar. A liquidação e o pagamento aparecem registrados em 8 de agosto, data que caiu em um sábado. O documento aponta como finalidade da viagem reuniões nos gabinetes dos deputados federais Fábio Garcia(União) e José Medeiros(PL) e do senador Flávio Bolsonaro(PL).
O deslocamento estava previsto para começar no sábado (8), incluindo o domingo (9), antes das atividades parlamentares da semana seguinte. Na segunda-feira (10), o Senado realizou sessões especial e não deliberativa. Na terça-feira (11), houve sessões deliberativas na Câmara dos Deputados e no Senado. Já na quarta-feira (12), a Câmara dos Deputados também realizou sessão deliberativa.
Embora a justificativa indique Brasília como destino, o empenho foi lançado na categoria de diárias dentro do Estado. O valor pago, no entanto, corresponde à tabela de deslocamentos interestaduais prevista na Lei Municipal nº 941, de 16 de dezembro de 2021.
Pela legislação, vereadores de Jauru têm direito a R$ 450 por diária, com acréscimo de 40% para viagens fora de Mato Grosso. Com isso, cada diária interestadual chega a R$ 630, totalizando os R$ 2.520 registrados para os quatro dias. A norma estabelece que os deslocamentos devem estar relacionados ao exercício das atribuições parlamentares, incluindo reuniões, cursos, congressos e outras atividades de interesse do Legislativo.
Os documentos obtidos pela redação do
comprovam o registro do pagamento, mas não incluem passagens, comprovantes de deslocamento, relatórios de atividades ou confirmação das reuniões.
POLÊMICA DO AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO
Integrante da Mesa Diretora da Câmara de Jauru, Cidinha da Altelândia também esteve envolvida em outra polêmica relacionada a benefícios destinados aos parlamentares. Em setembro deste ano, o Legislativo aprovou a Lei Municipal nº 1.167/2026, que previa o pagamento de auxílio-alimentação de R$ 1 mil mensais para cada vereador e de R$ 750 para servidores efetivos, com início previsto para janeiro de 2027.
A criação do benefício provocou críticas de moradores e repercussão na imprensa regional. Diante da reação popular, a própria Mesa Diretora apresentou uma proposta para revogar a legislação. O recuo foi aprovado em sessão extraordinária realizada em 23 de setembro, antes que os pagamentos começassem.
Após a votação, o presidente da Câmara, Pedro Ferreira de Souza, reconheceu publicamente que a aprovação do benefício havia sido um erro e afirmou que a decisão de voltar atrás levou em consideração a reação da população.
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