Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, foi reeleito presidente do Brasil neste domingo (25), após vencer Flávio Bolsonaro, do PL, no segundo turno das eleições de 2026. A vitória, apontada por projeção do Datafolha com 86,41% das urnas apuradas, representa o quarto mandato presidencial de Lula e garante sua permanência no Palácio do Planalto até o fim de 2030.
A disputa foi marcada pela polarização entre os dois candidatos. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou na frente, com 56.104.503 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula recebeu 53.879.538 votos, ou 45,16%, e precisou reverter a diferença na etapa decisiva da eleição.
A virada coloca Lula em uma posição inédita na história das eleições presidenciais brasileiras, segundo o levantamento divulgado. A confirmação definitiva do resultado depende da conclusão da totalização oficial pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Campanha teve foco na renda e na segurança pública
Durante a campanha, Lula dividiu sua agenda entre as atividades da Presidência da República e os compromissos eleitorais. Entre os principais temas abordados estiveram a defesa da soberania nacional, a geração de empregos, a renda dos trabalhadores e a continuidade dos programas sociais.
O presidente também criticou as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e defendeu medidas voltadas à redução das desigualdades. Na reta final do primeiro turno, ampliou as críticas às apostas esportivas e aos jogos on-line.
Para o segundo turno, a campanha petista adotou uma comunicação mais direta nas redes sociais e intensificou as críticas ao adversário. Lula também colocou em evidência propostas relacionadas à jornada de trabalho, à proteção social e à segurança pública.
A redução da jornada de trabalho, com o fim da escala 6×1, esteve entre os temas de destaque. O candidato também defendeu a continuidade de programas como Minha Casa, Minha Vida, Pé-de-Meia, Mais Médicos e Farmácia Popular.
Na área da segurança, a campanha apresentou propostas para ampliar a participação do governo federal no enfrentamento à criminalidade. O combate à violência contra as mulheres e ao feminicídio também ganhou espaço nos discursos do presidente.
Trajetória política de Lula
Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, Pernambuco, Lula mudou-se ainda criança com a família para São Paulo. Começou a trabalhar cedo e se tornou torneiro mecânico antes de ganhar projeção no movimento sindical.
Em 1975, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Sua atuação nas greves de trabalhadores do ABC Paulista, no fim da década de 1970 e início dos anos 1980, ampliou sua presença no cenário político nacional.
Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT). Foi eleito deputado federal por São Paulo em 1986 e integrou a Assembleia Nacional Constituinte responsável pela elaboração da Constituição de 1988.
Lula disputou a Presidência pela primeira vez em 1989, quando perdeu para Fernando Collor de Mello no segundo turno. Também foi derrotado por Fernando Henrique Cardoso nas eleições de 1994 e 1998.
A primeira vitória presidencial veio em 2002, quando derrotou José Serra. Reeleito em 2006, Lula permaneceu no cargo até o fim de 2010. Seus dois primeiros governos foram marcados pela ampliação de programas sociais, pela valorização do salário mínimo e por um período de crescimento econômico.
Após deixar a Presidência, apoiou a candidatura de Dilma Rousseff, eleita em 2010 e reeleita em 2014.
Condenações anuladas pelo STF
Lula foi condenado em processos relacionados à Operação Lava Jato e ficou preso entre abril de 2018 e novembro de 2019. A prisão impediu sua participação na eleição presidencial de 2018.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações que levaram à sua prisão, ao reconhecer que a Justiça Federal do Paraná não tinha competência para julgar os casos. A decisão restabeleceu seus direitos políticos e permitiu que voltasse a disputar eleições.
Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro no segundo turno e retornou à Presidência em janeiro de 2023. Agora, com a vitória eleitoral de 2026 apontada pelas projeções, inicia o caminho para seu quarto mandato presidencial.
Alckmin permanece como vice-presidente
Geraldo Alckmin, do PSB, foi reeleito vice-presidente na chapa de Lula. Médico e ex-governador de São Paulo, ele já havia disputado a Presidência contra o petista em 2006, quando representava o PSDB.
Os antigos adversários se aproximaram para a eleição de 2022, quando Alckmin deixou o PSDB, ingressou no PSB e aceitou concorrer à Vice-Presidência. No terceiro governo Lula, também assumiu o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A nova composição mantém a aliança política formada em 2022, que reuniu lideranças de diferentes correntes políticas em torno da candidatura petista.
Fonte: dados eleitorais e informações biográficas reunidos a partir do material fornecido e de informações publicadas sobre a eleição. A confirmação definitiva do resultado deve ser conferida nos canais oficiais do TSE.