O juiz Jean Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, negou a soltura de A.N.P., o Xandy, preso na Operação Grãos de Areia, em julho deste ano. Ele e mais 31 pessoas faziam parte do grupo que furtava cargas de grãos e fazia o produto "render" com areia e ainda vendia para outros países.
Em seu pedido de revogação da prisão preventiva, Xandy alegou que não havia provas suficientes de sua participação nos crimes. Com um dos integrantes da quadrilha foram encontradas conversas com o réu, onde eram discutidos valores e até como o material seria adulterado e revendido.
A Operação Grãos de Areia foi realizada em Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá), onde a quadrilha usava até empresas de fachada para alterar as cargas e depois revender. Apenas em três meses de 2021 o grupo movimentou mais de R$ 22 milhões.
Em sua decisão o magistrado enfatizou a necessidade da prisão do réu, tendo em vista que "há contundentes indícios de que se trata de organização criminosa, portanto crime permanente, destinada à subtração e adulteração de produtos agrícolas, cujos desdobramentos persistiam até o decreto prisional, pelo que não há falar em ausência de contemporaneidade".
Para o juiz, cessar a atividade da quadrilha é de interesse público até mesmo internacional, pois os crimes podem trazer "efeitos deletérios ao bom nome do agronegócio brasileiro, por exemplo, mediante a entrega de uma carga destinada à China ou Europa com uma quantidade relevante de produto falsificado".
E que, a "adoção de outra medida cautelar, neste momento, não se revelaria eficaz para o cumprimento de sua finalidade, considerando a natureza e gravidade dos crimes apurados".