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Sabado, 18 de Abril de 2026
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Terra Indígena Yanomami começa a se recuperar com saída de garimpeiros

Em seis meses de operação para retirada de garimpeiros na Terra Indígena Yanomami, floresta e água começam a dar sinais de recuperação

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Por Vale do Jauru
Terra Indígena Yanomami começa a se recuperar com saída de garimpeiros
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Operação de retirada dos invasores

Jair Schmitt, chefe da fiscalização ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), reconhece que há muito a ser feito para livrar a TI Yanomami dos invasores.

"Tem muito suprimento ainda sendo levado de avião, alguns inclusive transpondo fronteira, usando parte da Venezuela. É preciso ter atuação mais forte no controle do tráfego aéreo, que permite levar suprimento e retirar ouro e cassiterita por parte dos garimpeiros", diz Schmitt à DW, ressaltando que o controle de fluxo aéreo não é atribuição do Ibama.

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Segundo o monitoramento feito pelo instituto, houve uma redução de 82% de abertura de novas áreas de garimpo de fevereiro a junho, em comparação com mesmo período do ano anterior. "Mas ainda há regiões com garimpeiros lá dentro, o que precisa ser combatido", afirma Schmitt.

Durante os seis meses de operação na TI Yanomami, o órgão destruiu 23 aviões, dois helicópteros e 335 acampamentos usados pelos garimpeiros. Foram apreendidos 28 mil litros de combustível, 226 motores usados para fazer a extração do ouro e 30 embarcações.

Com a abertura de uma nova base, na aldeia Homoxi, que fica próxima à fronteira com a Venezuela, a expectativa é que os agentes tenham melhores condições para atuar em outras frentes de garimpos que precisam ser desmobilizados, diz Schmitt.

"Os garimpeiros, ao que parece, não acreditavam de fato que o governo brasileiro, em especial o Ibama, iria atuar forte. Mas aos poucos estamos avançando. Destruir a infraestrutura é importante, pois acaba inviabilizando o trabalho dos invasores", justifica o servidor de carreira do órgão.

Para os mais de 300 indígenas que participaram do IV Fórum de Lideranças Yanomami e Ye'kwana, em meados de julho, ainda não é hora de agradecer aos governantes.

"Os resultados das ações realizadas até hoje estão longe de serem suficientes. Os garimpeiros continuam ingressando e destruindo nossa floresta. Ainda continuamos morrendo por falta de atendimento à saúde tanto dentro como fora de nosso território, quando nossos parentes são removidos e precisam passar muito tempo sofrendo na cidade", escreveram os participantes numa carta assinada por presidentes de dez associações indígenas.

Em 2019, os indígenas elaboraram um protocolo de consulta e entregaram o documento ao governo brasileiro, liderado à época por Jair Bolsonaro. "Mas foi somente neste 4° Fórum de Lideranças Yanomami e Ye ́kwana que os órgãos federais iniciaram uma consulta realizada da forma correta. É a primeira vez que o governo afirma querer respeitar nosso Protocolo de Consulta", pontua o documento.

Para os habitantes da TI, o protocolo serve como um guia para defendê-los da cobiça dos não indígenas e de tentativas de aliciamento. As lideranças pedem ainda que o governo ouça as comunidades e envolva as associações no planejamento e execução das ações.

 

Plano de reconstrução

Com uma população estimada em mais de 27 mil indígenas, segundo dados preliminares do Censo 2022, a Terra Indígena Yanomami tem pelo menos 13 grupos que optaram por viver em isolamento.

A onda de invasão tem sido denunciada pela Associação Hutukara há anos. O monitoramento feito pela entidade mostra que, a partir de 2016, a destruição causada pelo garimpo explodiu e cresceu 3.350% entre 2016 e 2020.

Para os yanomami, além da retirada imediata dos invasores e devida punição aos criminosos, é urgente um sistema de vigilância territorial eficiente, com reativação das bases de proteção territorial.

Na área da saúde, os indígenas dizem que a ampliação do atendimento em outras aldeias, aumento no número de funcionários e fornecimento de medicamentos são as medidas mais urgentes a serem implementadas.

"Tem comunidades que ainda não receberam cesta básica. É preciso distribuir melhor esse alimento. Pessoas andam pela floresta por dias até outras comunidades para avisar que está faltando comida", diz Junior.

Mesmo sofrendo com a malária e pelo luto da perda de crianças por desnutrição, homens e mulheres voltam a plantar nos arredores de algumas aldeias onde os garimpeiros foram expulsos. "É um ótimo sinal, mas ainda leva tempo até chegar a hora de colher. Até lá, vamos precisar da ajuda com alimento", diz Júnior.

FONTE/CRÉDITOS: DW
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