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Domingo, 19 de Abril de 2026
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Fatalidade

Terra indígena Sararé:"Nhambiquaras estão acuados pela garimpagem ilegal", diz representante

Segundo Soilo Chue, ameaças de morte de garimpeiros a indígenas estão esvaziando as aldeias no oeste de Mato Grosso

Vale do Jauru
Por Vale do Jauru
Terra indígena Sararé:
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O garimpo ilegal de ouro na terra indígena Sararé, em Pontes e Lacerda (444 Km de Cuiabá), tem levado ao esvaziamento de aldeias do povo Nhambiquara para o interior do território. É o que afirma Soilo Urupe Chue, assessor e conselheiro da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt).

Dentro da Terra Indígena, segundo Soilo, existem áreas em que os próprios caciques e demais indígenas Nhambiquara não podem mais circular devido ameaças de morte por parte dos garimpeiros, fazendo com que os verdadeiros donos da terra se sintam reféns no próprio território.

Soilo participou na semana passada, do Acampamento Terra Livre, no Centro Político Administrativo, em Cuiabá, e pediu em discurso uma maior fiscalização por parte do Estado nas terras indígenas..

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"Não temos controle dentro do garimpo e não conseguimos entrar lá. Estava conversando com um cacique do nosso povo da região do Sararé que contou que está pensando em continuar na aldeia ou se vai mais ao fundo do território. Eles não têm mais aquela tranquilidade que se tinha e estão com medo", explica.

Mesmo homologada pelo Governo Federal, há quase 30 anos, a terra indígena Sararé tem sido vilipendiada por garimpeiros ilegais para extração de ouro. Além de Pontes e Lacerda, o território, de 67 mil hectares de extensão, também abrange os municípios de Conquista D'Oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade, no oeste de mato-grossense.

A região tem sido alvo constante de operações da Força Nacional, IBAMA e Polícia Federal. Segundo a PF, o garimpo na região é comandado pela empresária M.J.A, 43 anos, presa em 9 de agosto do ano passado na operação “Rainha do Sararé”, nome pelo qual ela ficou conhecida na região. Ela era a líder de uma associação criminosa, composta pelo esposo, filhos e outros membros de sua família, que comandam e financiam a extração ilegal de ouro na terra indígena.

O representante dos povos indígenas da região Oeste de Mato Grosso contou ainda que a chegada dos garimpeiros gerou tensão nas aldeias. Aos poucos, pelo medo de morrer, os indígenas estão migrando do local para outras aldeias por medo de morrer. O clima tenso, conforme Soilo, só ameniza quando acontecem as operações policiais. "O pessoal some, mas, depois que a fiscalização vai embora, volta em pouco tempo tudo de novo", denuncia.

Segundo o representante indígena, além de contaminação para a água e o solo das aldeias, a presença dos garimpeiros trouxe uma divisão entre os próprios indígenas da etnia.

"Algumas lideranças vão conversar com eles [garimpeiros], ficam pensando que vão receber recurso com garimpo e ficam iludidos. Então, os caciques que não querem [o garimpo] começam a conflitar com aqueles que, digamos assim, com as pessoas que tem um diálogo ou quer servir [no garimpo]", enfatizou.

"O garimpo só cresce dentro do território e tem levado a situações que nós não estávamos acostumados", concluiu.

FONTE/CRÉDITOS: Única News
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