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Domingo, 19 de Abril de 2026
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Temporada de raios:Especialistas esclarecem mitos e verdades sobre queda de raios

De acordo com dados do Grupo Storm, Mato Grosso fechou 2022 com a incidência de 20,8 milhões descargas elétricas

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Por Vale do Jauru
Temporada de raios:Especialistas esclarecem mitos e verdades sobre queda de raios
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As previsões climáticas de Mato Grosso têm preocupado os mato-grossenses. Além de possíveis alagamentos e cortes de energia em decorrência de tempestades, outro ponto de atenção têm sido as descargas atmosféricas, os raios. Especialistas alertam para dicas de segurança e esclarecem mitos e dúvidas que assustam sem necessidade as pessoas.

De acordo com dados do Grupo Storm, empresa especializada no monitoramento do clima e contratada para apoiar às ações da Energisa Mato Grosso, o Estado fechou 2022 com a incidência de 20,8 milhões descargas elétricas, 12% a mais do que em 2021.

Paulo Teixeira é coordenador do centro de operação integrado da Energisa Mato Grosso. Ele fala sobre o monitoramento feito pela concessionária e alerta dobre o período chuvoso, acompanhado de descargas atmosféricas. A Energisa conta com uma ferramenta que faz o monitoramento do tempo e eventos climáticos. Com base nela é possível fazer previsões, ver o volume de chuvas e raios em determinado localidade.

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“Tal como Sorriso, uma cidade que tem sofrido nesse inicio do ano com muitas chuvas”, exemplifica Paulo. Ele ainda reforça a segurança que as pessoas devem ter nessa época do ano. “Nesses momentos de fortes chuvas, descargas atmosféricas, os raios podem cair na rede elétrica, causar ruptura dos cabos e todo o cuidado é pouco nessa hora”, alerta o coordenador.

Ele orienta ainda que as pessoas, em hipótese alguma, devem chegar perto dos cabos e tocá-los. “A orientação nessa situação é ligar para nossos canais de atendimento. Porque se tiver algum contato físico próximo a rede do cabo que está partido, pode causar um sério acidente e até a fatalidade”, enfatiza ele ao dizer também sobre a maior incidência de raios em áreas rurais.

“Até com seus maquinários agrícolas não se aproximar de determinado cabo partido, porque realmente pode acontecer um acidente. Se por algum motivo, alguma razão o cabo romper, se deparar com essa situação - mesmo no veículo - em hipótese alguma se aproximar ou tentar retirar”, completa.

Danilo Ferreira é professor de engenharia elétrica na Universidade Federal de Mato Grosso. Descargas atmosféricas é uma das áreas que ele pesquisa. O professor conta que o Brasil, por ser o maior país mais próximo dos trópicos, recebe a maior quantidade de raios. Em comparação com o resto de Mato Grosso, a baixada cuiabana também é um local que apresenta alta quantidade de descarga no mapa de densidade de descarga atmosférica por quilômetro quadrado.

“Pouco ocorre em alto mar e ocorre com menos incidência os raios nas regiões acima dos trópicos. Então se você vai lá pro Norte ou pro extremo Sul, você tem muito menos do que na faixa equatorial. […] Por quê que isso acontece? Porque há uma formação de tempestade que se desloca. Não ocorre normalmente no mesmo local da formação. Tem um leve deslocamento. Nesse deslocamento […] Há um atrito da nuvem carregada, portanto uma massa com ar, e essa nuvem adquire carga elétrica”, explica ele.

Danilo também dá dicas de segurança e fala sobre os principais acidentes. Ele alerta que quando uma nuvem carregada se aproxima, as pessoas devem buscar uma área coberta, principalmente se for uma edificação com sistema de proteção contra descargas atmosféricas. As estruturas baixas não apontam necessidade desse sistema, mas já ajudam. “Ou [se proteja] interno a uma residência, se ocorrer uma descarga em uma residência sem proteção, normalmente ocorre danos à residência […] mas as pessoas normalmente não sofrem danos diretos.”, conclui ele.

Recentemente, circulou nas redes sociais um vídeo de uma caminhonete em que o homem narra relatando que havia caído um raio no veículo. A descarga acabou gerando danos no veículo.

“O carro não é o melhor lugar para se ficar, entretanto é muito melhor do que fora dele, a campo aberto. […] O ideal seria você estar dirigindo, estacionar em um lugar coberto, esse seria o ideal. Mas o carro oferece uma relativa proteção, porque ele opera como uma gaiola. Ele tem uma massa metálica grande. Então se uma descarga atinge um carro, normalmente a descarga flui pela carcaça e não danifica a pessoa. Pode ter a quebra do vidro, algum estilhaço ali, mas é muito mais seguro do que fora do carro”, explica ele ao dizer que no caso do vídeo da caminhonete não é comum e que possivelmente houveram coisas adicionais para que houvesse a queima no painel do veículo.

Com relação aos raios, existem algumas informações errôneas que devem ser explicadas. O professor de engenharia elétrica explicou alguns mitos e esclareceu algumas dúvidas, que é comum das pessoas acreditarem. Confira alguns deles abaixo:

1- “Um raio não cai duas vezes no mesmo lugar” – FALSO. Danilo explica que essa informação falsa é até perigosa, já que “se isso fosse verdade, você não precisaria mais fazer proteção daquele local. Então na verdade, é o contrário. O local onde caiu um raivo é muito provável que caia outro”, explica enfaticamente ele.

2- “Espelho atrai raio” – FALSO. Nesse caso, o professor explica que é comum as pessoas acreditarem nessa afirmativa, pois antigamente, no Período Imperial, os espelhos tinham muito metal. “Nesse caso, aumenta remotamente a possibilidade de um raio acoplar em algo metálico. Um espelho estando dentro da edificação é muito difícil que isso aconteça, mesmo tendo metal”, esclarece o professor.

3- “Raio derruba avião?” Segundo Danilo, um avião envolve toda uma massa metálica muito densa, e opera também como uma gaiola, que distribui a descarga caso aconteça. “Fora a parte frontal ali que tem a sonda, o radar. Normalmente isso não tem mais acontecido. Aconteceu no passado, com uma blindagem de carcaça bem diferente dos aviões antigos”, informa.

4- “Sapato de borracha impede alguém de ser eletrocutado por raio? ”. Na verdade, as botas com certificados de proteção elétrica são para baixas e até média tensão. Uma descarga atmosférica é um nível de tensão muito elevada. “Aquela proteção de borracha para um raio pouco importa. Para um choque em uma rede de baixa tensão, a isolação por uma borracha, por uma bota adequada oferece um grau de eficiência mais elevada. Em uma descarga atmosférica não faz diferença alguma”, diz Danilo.

5- “Tem como aproveitar energia do raio? ”. O professor explica que na verdade a energia não é alta. “No sentido de que a tensão é muito alta, a corrente é muito alta. Tensão e corrente formam uma potência. A potência de um raio é muito alta. Mas a energia do raio é baixa, porque energia é potência vezes o tempo. E o raio ocorre muito rápido né, então na verdade tem muita potência, mas não tem muita energia.”, informa.

6- “Corrente e anel atraem raio? ”. Esses objetos possuem uma massa muito pequena para atrair um raio. A mesma resposta se aplica para equipamentos metálicos, como um guarda-chuva na rua em um período de muitas nuvens carregadas. “Faz uma alteração muito baixa, então nem é relevante essa discussão”, expressa Danilo.

7- “Celular atrai raios” FALSO. “A frequência de onda que um celular trabalha não tem possibilidade de realizar nenhuma alteração no campo elétrico que vai produzir o campo elétrico da Terra, que junto ao campo elétrico da nuvem, vai produzir os líderes [...] que resultaram em uma descarga. ”, elucida o professor. Danilo ainda diz que várias publicações já analisaram essa questão e que elas chegaram à conclusão que a onda utilizada por um celular poder alterar uma descarga atmosférica é um mito.

FONTE/CRÉDITOS: Hiper Notícias
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