Um projeto de lei elaborado pelo acadêmico do curso de Direito da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Vanderson Ferreira Liarte, propõe a criação de uma Auditoria Cidadã para acompanhar a aplicação de recursos públicos e a execução de contratos e serviços no município de Jauru (MT).
A proposta também prevê a criação do Comitê de Auditoria Cidadã, formado por vereadores e representantes de diferentes setores da sociedade. O grupo teria caráter consultivo e de assessoramento às atividades de fiscalização da Câmara Municipal.
Em entrevista ao Página Press, Vanderson explicou que a iniciativa busca ampliar a participação da população no acompanhamento das contas públicas e permitir uma análise mais detalhada dos recursos administrados pelo município.
Segundo ele, a proposta foi elaborada com foco na fiscalização de diferentes áreas da administração municipal, incluindo receitas, contratos, emendas parlamentares e serviços públicos.
O projeto prevê a análise de contratos de empréstimos e financiamentos, transferências recebidas pelo município, convênios, receitas, concessões de serviços públicos, contratos de limpeza urbana e recursos provenientes de emendas parlamentares.
Água e esgoto estão entre os principais focos
Um dos pontos de maior destaque da proposta é a fiscalização do contrato de concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.
O texto prevê a análise das metas de investimento estabelecidas no contrato, da composição das tarifas cobradas dos moradores, de eventuais reajustes, dos repasses devidos ao município e dos custos relacionados à tarifa de esgoto.
A proposta também prevê o mapeamento e a vistoria de locais onde houver suspeita de lançamento de esgoto a céu aberto ou de efluentes sem tratamento em córregos e cursos d’água da área urbana.
Vanderson afirmou que a situação do saneamento está entre as prioridades do grupo responsável pela proposta.
Segundo ele, moradores relatam problemas relacionados às cobranças de água e esgoto e ao funcionamento da rede. Ele também afirmou que haveria lançamento de resíduos de esgoto em um córrego que atravessa o município.
As afirmações sobre possíveis problemas no sistema de saneamento foram apresentadas por Vanderson durante entrevista ao Página Press. O material disponibilizado à reportagem não inclui laudos ou documentos técnicos que confirmem essas alegações.
Comitê terá participação da sociedade
O Comitê de Auditoria Cidadã, conforme o projeto, terá representantes de partidos políticos com assento na Câmara, entidade sindical ou associação de servidores, professores, trabalhadores do Judiciário e conselhos municipais.
Em caso de vagas não preenchidas, outros representantes de organizações da sociedade civil poderão ser chamados. Profissionais das áreas de advocacia e contabilidade também poderão participar em situações previstas no texto.
Os integrantes terão mandato de dois anos, com possibilidade de uma recondução. A participação será voluntária e não haverá remuneração.
O projeto também estabelece regras de impedimento para evitar a participação de pessoas que tenham determinados vínculos familiares, profissionais ou comerciais com agentes públicos ou empresas que possam ser fiscalizadas pelo comitê.
Proposta prevê acesso a documentos
Caso seja aprovado, o projeto determina que os órgãos da administração municipal forneçam à Câmara documentos e informações relacionados aos temas fiscalizados, respeitados os casos de sigilo previstos em lei e as regras de proteção de dados.
O prazo previsto é de 15 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período mediante justificativa.
Entre os documentos que poderão ser solicitados estão contratos de dívida, extratos bancários relacionados a juros e amortizações, dados sobre receitas, processos de licitação, contratos de serviços, notas fiscais e documentos relacionados a emendas parlamentares e transferências especiais.
Os relatórios produzidos pelo comitê deverão ser disponibilizados no Portal da Transparência da Câmara, de acordo com o texto da proposta.
Moradores poderão apresentar denúncias
O projeto também prevê que moradores possam apresentar à Câmara ou ao Comitê documentos e outros elementos relacionados a possíveis irregularidades nos serviços de água e esgoto.
Entre os exemplos citados estão contas de água, comprovantes de cobrança, fotografias, vídeos e documentos relacionados ao abastecimento, hidrômetros, vazamentos e lançamento de esgoto.
A proposta estabelece ainda a realização de sessões especiais a cada três meses para apresentar os resultados das auditorias. As reuniões deverão ser abertas ao público e transmitidas pelos canais oficiais da Câmara.
Abaixo-assinado
Além da proposta legislativa, Vanderson informou que um abaixo-assinado está sendo realizado para buscar apoio dos moradores.
Segundo ele, mais de 80 pessoas haviam assinado o documento durante a manhã de sábado. A intenção é continuar a coleta de assinaturas em outros bairros de Jauru.
O projeto ainda depende de tramitação e votação na Câmara Municipal. Caso seja aprovado e posteriormente publicado como lei, a instalação do Comitê deverá seguir cronograma definido pela Mesa Diretora, preferencialmente em até 30 dias.

Vanderson Ferreira Liarte e colegas na Câmara Municipal de Jauru, durante o desenvolvimento de um projeto anterior .
Vanderson Ferreira Liarte e colegas da Unemat durante outra iniciativa desenvolvida pelo grupo.
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