O professor do curso de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Saulo Tarso Rodrigues, foi preso preventivamente na noite de segunda-feira (10), no bairro Marajoara, em Várzea Grande, após o descumprimento sucessivo de medidas cautelares. Ele é investigado por assédio e ameaças contra uma aluna.
A prisão foi cumprida por investigadores na Travessa São Lourenço. Conforme o boletim de ocorrência, a equipe localizou Saulo no endereço indicado, confirmou sua identidade e cumpriu o mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça.
Após receber voz de prisão, ele foi algemado e encaminhado à Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, onde foi apresentado à autoridade policial para as providências cabíveis.
Antes da prisão, a Justiça havia determinado medidas cautelares contra Saulo após a representação apresentada pela estudante. Na decisão, o juiz Marcos Terencio Agostinho Pires determinou que o investigado mantivesse distância mínima de 500 metros da vítima, familiares e testemunhas, além de proibir qualquer tipo de contato.
Conforme o relato da estudante, os assédios começaram no início do semestre do curso de Direito, em fevereiro deste ano. A vítima afirmou que inicialmente mantinha uma relação normal de aluna e professor com Saulo, mas que, com o passar dos meses, ele teria começado a apresentar comportamento inadequado, oferecendo caronas, fazendo convites para sair após as aulas e enviando mensagens para que os dois tomassem vinho juntos.
Segundo o relato, Saulo também passou a se sentar próximo dela durante as aulas e a tratá-la de maneira diferente dos demais alunos. Em uma das situações narradas à Justiça, a estudante afirmou que o professor tentou encostar a mão em sua perna durante uma aula e, posteriormente, teria tocado o local por cerca de cinco segundos. Depois que ela se afastou, segundo a vítima, ele enviou uma mensagem dizendo: “VOCÊ FICA BEM DE VERMELHO”.
Ainda de acordo com a vítima, após bloquear Saulo no WhatsApp por causa das mensagens insistentes, ele teria utilizado outro número para tentar contato. A estudante afirmou também que o investigado passou a perguntar sobre ela a outros estudantes.
Mesmo depois de receber um pedido para que não a procurasse mais, segundo o relato, Saulo teria tentado contato pelo Instagram e, posteriormente, por SMS. Nas mensagens, conforme a vítima, ele teria pedido desculpas, afirmado que estava triste com a situação, dito que a amava e solicitado que ela respondesse.
Na primeira análise do pedido de proteção, o juiz entendeu que o caso não se enquadrava na Lei Maria da Penha, uma vez que não havia, segundo ele, relação doméstica, familiar ou íntima de afeto entre as partes. A decisão apontou que o vínculo era de natureza acadêmica/profissional.
Apesar disso, o magistrado considerou que os relatos indicavam possível risco à integridade da vítima e determinou medidas cautelares com base no artigo 319 do Código de Processo Penal.