A juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Ana Cristina Silva Mendes, autorizou a venda de gado da Fazenda Três Barras – propriedade rural localizada em Cáceres (222 Km de Cuiabá), que seria utilizada por uma família para o tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes. A decisão é do dia 13 de abril.
Segundo o processo, o Poder Judiciário Estadual autorizou a alienação (venda) da Fazenda Três Barras num negócio conduzido por uma empresa especializada na administração judicial, uma espécie de “auxiliar” do Poder Judiciário, de organizações em crise.
Nos autos, a empresa pediu “a permissão para a venda de bovinos, de acordo com as demandas financeiras da fazenda”, sendo autorizada pela juíza.
“Autorizo a venda de bovinos, quando necessário, de acordo com o preço de mercado, para custear as despesas decorrentes das atividades e da manutenção da Fazenda, mediante prestação de contas, de forma bimestral”, autorizou a magistrada.
A empresa que vai gerir o processo de venda da Fazenda Três Barras também solicitou uma visita à propriedade rural, com apoio do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), da Polícia Militar, além de técnicos do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea).
O pedido também foi aceito pela magistrada. Num levantamento realizado há um ano, a propriedade rural contava com 285 bovinos, além de um trator, dois caminhões, uma carreta basculante, uma caminhonete (F-1000), um veículo de passeio (Volkswagen Polo), dois cavalos, e outros maquinários rurais.
FAZENDA DO CRIME:
Segundo informações do processo, Hugo Fernando de Assis Custodio transformou a Fazenda III Barras numa “propriedade rural do crime”, junto com seu sócio, João Claudio Pulcino e toda a sua família. A esposa do líder da quadrilha, seria a contadora da organização. Investigações apontaram indícios de dissimulação e ocultação de valores adquiridos a partir do tráfico de drogas.
“Foram verificadas, em tese, inúmeras movimentações financeiras em nome dos denunciados, entre os anos de 2016 e 2017, algumas com valores vultuosos, outras com valores menores em uma sequência de depósitos de valores fracionados, conhecido como ‘técnica de smurfing’ –utilizada por pessoas envolvidas em crimes de lavagem de dinheiro”, diz trecho dos autos.
Ainda de acordo com as investigações, Jefferson Amorim Pulcino ostentava carros de luxo, todos oriundos de dinheiro do tráfico de drogas, e viajava com frequência para outros estados. Segundo o Grupo de Atuação Contra o Crime Organizado (Gaeco), no período de janeiro de 2016 a novembro de 2017, Mariadina Amorim da Cunha também movimentou mais de R$ 740 mil em créditos e outros R$ 723 mil em débitos, em suas contas bancárias, junto à Caixa Econômica Federal (CEF).
Comentários: