A reportagem do jornal A Gazeta obteve com exclusividade o depoimento do ex-secretário de Saúde de Cuiabá Célio Rodrigues da Silva, preso na Operação Hypnos, que investiga suposto desvio de recursos públicos na Secretaria Municipal de Saúde. Durante o interrogatório, que durou aproximadamente 10 minutos, o ex-gestor afirma que não houve fraude na compra das 9 mil unidades de midazolan. Porém, admitiu que a aquisição do medicamento foi feita de maneira ‘atípica’ por se tratar de um período pandêmico e relatou ter ficado ‘surpreso’ com a prisão.
As declarações de Célio foram feitas durante audiência de custódia, na quinta-feira (8), horas depois da prisão do ex-gestor ocorrida em sua residência, na Capital. Célio está preso preventivamente na Penitenciária Central do Estado (PCE) em cela especial por ter ensino superior. Além do ex-secretário, participaram do procedimento o juiz da 10ª Vara Criminal de Cuiabá, João Bosco Soares da Silva, o promotor de Justiça Carlos Roberto Zarour César e o advogado do ex-gestor, Ricardo Spinelli.
A audiência foi realizada de modo virtual. Após responder perguntas sobre os seus dados pessoais, Célio deu sua versão dos fatos. É a 1ª vez que um veículo de comunicação tem acesso a depoimento do ex-secretário.
Ao juiz, Célio negou que tenha qualquer irregularidade na aquisição do medicamento. Ele explicou que no período em que os policiais da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) apontam que houve irregularidade na compra da medicação, ele era, de fato, diretor-geral da Empresa Cuiabana de Serviços Públicos (ECSP). Célio detalhou que para a aquisição de medicamento é necessário um trâmite de vários setores da empresa. O investigado alegou ter certeza que não houve fraudes.
“As compras não eram feitas por mim. Tem um setor que fazia compras, um setor que recebia e o setor que trazia os processos prontos para realizar os pagamentos. Nenhum administrador tem autonomia do início da compra até o término do pagamento. Tenho certeza absoluta que foi comprado corretamente, que foram entregues os medicamentos, principalmente, porque era um momento bem conturbado da pandemia”, disse o ex-secretário.
As compras foram realmente um pouco atípicas, porque realmente não existia medicamentos para serem comprados. Então, não estava se escolhendo muito para comprar, porque comprava o que tinha, porque pelo o que eu li lá, fala-se midazolan. Esse medicamento mantém o paciente sedado, sem esse medicamento o paciente acorda durante a intubação. Então, foram medicamentos que foram comprados por diversas fontes. Nesse momento, foi uma falta muito grande. Isso foi mundial, nacional. Vocês devem ter acompanhado que muitas pessoas acordaram durante a intubação por falta desse medicamento”, relatou.
O investigado também citou que para a compra de medicamento no serviço público é necessário um trâmite burocrático entre vários estatais. Célio disse que o gestor da ECSP não acompanha o processo de aquisição e que o procedimento já chega pronto para que ele assine.
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