Lumar Costa da Silva, autor de um dos crimes mais chocantes já registrados em Mato Grosso, voltou à prisão menos de cinco meses após deixar o Hospital Psiquiátrico Adauto Botelho, em Cuiabá, onde permaneceu internado por quase dois anos.
Ele havia sido desinternado em junho deste ano, mas descumpriu todas as condições impostas pela Justiça, abandonou o tratamento e ainda foi denunciado por um caso de violência doméstica. Diante dessas irregularidades, a Justiça decretou sua prisão, cumprida na última sexta-feira (14), no estado de São Paulo.
Segundo as informações, Lumar deixou a casa do curador — seu pai, Gilmar Costa Silva — e parou de tomar os medicamentos obrigatórios. A Vara de Execuções Penais de Cuiabá solicitou imediatamente o recambiamento do acusado para Mato Grosso.
Ao chegar ao estado, ele deverá ser encaminhado ao Raio 8 da Penitenciária Central do Estado (PCE), área considerada o setor de segurança máxima mais rigoroso do sistema prisional. A permanência no local será temporária, até que surja uma nova vaga no Hospital Adauto Botelho. O juiz responsável pelo caso, Geraldo Fidelis, confirmou que a internação será determinada novamente, afirmando tratar-se de um caso essencialmente ligado à saúde mental.
Lumar Costa da Silva foi preso pela primeira vez em 3 de julho de 2019, horas após assassinar a própria tia, Maria Zélia da Silva, de 55 anos, em Sorriso. O crime chocou o país pela brutalidade: após esfaquear a vítima, ele arrancou o coração dela e o entregou à filha da mulher. O caso resultou em um exame de sanidade mental, que apontou que ele era portador de transtorno afetivo bipolar tipo 1 e que, no momento do crime, não tinha compreensão do caráter ilícito de seus atos.
Com base no laudo psiquiátrico, o juiz Anderson Cândido o declarou inimputável em dezembro de 2021, impedindo que fosse levado a júri popular. Em outubro de 2023, Lumar deixou o sistema prisional e foi transferido para o Hospital Adauto Botelho. Em junho de 2025, relatórios técnicos da equipe multiprofissional indicaram que ele poderia ser desinternado, retornando imediatamente para Campinas (SP) com o pai — condição que durou pouco devido ao novo descumprimento de regras.
A Justiça agora trabalha para trazê-lo de volta a Mato Grosso, onde, mais uma vez, deverá cumprir medida de segurança em ambiente hospitalar especializado.